Ninguém tem dúvida de que o jornalismo está, desde o seu nascimento, relacionado com a tecnologia. (...) Poderíamos dizer então que o desenvolvimento da tecnologia sempre trouxe consequências para o jornalismo. Esta é uma citação feita às palavras António Queiroga, professor universitário e coordenador do Curso de Comunicação Social da Universidade Veiga de Almeida.
Desde sempre que o jornalismo e a tecnologia vivem como irmãos, constantemente interligados entre si. A cada nova invenção, a cada mais recente evolução, a actividade jornalística acaba sempre a adaptar-se a usar estas descobertas para consolidar e aperfeiçoar o ramo. Isto aconteceu com a prensa, com a impressão em larga escala e, mais recentemente, com o computador.
O computador marca uma revolução na capacidade de procura, tratamento e armazenamento de fontes, notícias e informações. Inicialmente usada como um mero processador de texto, que facilitava a escrita das notícias, esta máquina veio trazer algo mais do que uma espécie de máquina de escrever digital. Chega a Internet.
A Net provocou alterações profundas no campo do jornalismo. A Web fornecia um conjunto de funcionalidades de grande importância para a melhoria do trabalho jornalístico e, por isso, o recurso à Internet passou a fazer parte indissociável das rotinas dos profissionais da área. É aqui que nasce o chamado Jornalismo Assistido por Computador (JAC). Contudo há que evitar confusões entre algumas definições.
O JAC é parte do chamado Jornalismo Digital - tipo de prática se refere a todo jornalismo que hoje se faz com o uso das mais diversas formas de tecnologia digital - que pode ser dividido pelo Jornalismo Online e pelo Jornalismo Assistido por Computador. É comum haver confusão, mas são duas definições diferentes. O primeiro refere-se a todo o jornalismo que é publicado na rede - Internet - enquanto que o segundo é a actividade onde, em qualquer etapa da produção da informação jornalística, é utilizado o computador (e/ou a Web) como ferramenta de processamento da informação.
Acrescenta-se ainda que o JAC permite um maior rigor na produção da informação. Com a Internet, o jornalista pode aprofundar os seus conhecimentos acerca de determinado tema sobre o qual está a escrever, aceder a notícias já publicadas em outros órgãos de informação e pesquisar novas fontes de informação para completar melhor a sua peça.
Contudo, há entraves ao uso da rede na produção noticiosa. António Queiroga fala numa limitação da capacidade do jornalista no uso das técnicas e ferramentas necessárias para o JAC (uso de programas, ferramentas de pesquisa, entre outras). Há ainda a política ideológica da empresa, que pode, ou não, aceitar o uso de meios digitais na recolha de informação para as suas notícias e uma legislação que limita a disponibilização da informação mediante a autorização de determinados órgãos e entidades.
O cuidado com as fontes tem de ser redobrado. Com a proliferação da Web 2.0 o número de utilizadores com capacidade a publicar textos e informações acerca da realidade multiplicou-se aos milhares. Cabe ao jornalista procurar fontes credíveis e não se basear em quaisquer resultados que à frente lhe surjam. É das boas fontes que vive a credibilidade notícia.
Para finalizar, Philip Meyer, em artigo publicado em 1996 com o título de Why journalism needs Ph.Ds, refere as capacidades que um jornalista tem que possuir para vingar no futuro próximo dizendo que o jornalista de um futuro já quase presente vai necessitar de conhecimentos em pesquisas quantitativas e de opinião, pesquisa de campo, ferramentas de informática e uma boa base em estatística e matemática para operacionalizar o trabalho jornalístico.
Para mais informações consultar:
- Canavilhas, João, Os Jornalistas Portugueses e a Internet
- Meyer, Philip, Why journalism needs Ph.D.s, 1996
- Queiroga, António, Um Futuro Para o Jornalismo: As Tecnologias da Notícia, Abril 2004
- Sousa, João Pedro, Os Novos Meios Electrónicos em Rede: Um Estudo Prospectivo Sobre Jornalismo On-line e Outros Conteúdos na Internet Portuguesa

